EVIDÊNCIA DE SUBTRATAMENTO

Apesar das orientações recentes publicadas pelo ACR e dos numerosos estudos estabelecendo a eficácia da terapêutica preventiva na OIC, uma evidência crescente sugere uma subutilização generalizada destas medidas. Um inquérito telefónico a doentes sob terapêutica a longo prazo com glucocorticóides referiu que 29% estavam a tomar suplementos de cálcio e 45% estavam a receber vitamina D. Das mulheres pós-menopáusicas inquiridas, 40% estavam a receber THS, 14% estavam a receber bifosfonatos e 29% tinham efectuado uma DEXA.18 Noutro estudo foram revistos os processos clínicos de 215 doentes sob terapêutica com glucocorticóides durante mais de 1 mês. A profilaxia contra a OIC foi prescrita em 58% dos doentes.

Os reumatologistas do The George Washington University Medical Center, em Washington, DC, efectuaram uma revisão retrospectiva semelhante dos processos clínicos. Neste estudo não publicado, apenas 29% dos doentes inquiridos tinham recebido terapêutica preventiva e apenas 16% tinham sido avaliados através de DEXA. Todos os doentes avaliados que tinham recebido profilaxia eram mulheres, a maior parte das quais com idades compreendidas entre os 40 e os 50 anos. A terapêutica preventiva tinha sido tipicamente iniciada após a doente ter tomado corticosteróides durante mais de 2 anos e em doses equivalente a mais de I 0 mg/dia de prednisona. Os resultados mostraram que, mesmo os reumatologistas dum centro universitário que se confrontam frequentemente com os efeitos adversos dum excesso de glucocorticóides exógenos, raramente avaliam ou proporcionam profilaxia contra a OIC.

Uma história de realização de DEXA correlaciona-se com uma taxa mais elevada de terapêutica preventiva ao aumentar a probabilidade de diagnosticar uma OIC. Assim, o aumento da consciencialização do médico relativamente às questões que envolvem a OIC pode ter uma importância significativa para a detecção e tratamento dos doentes com uma doença óssea metabólica. Estes estudos mostram a necessidade de iniciar uma abordagem mais adequada no sentido de educar os doentes e os médicos relativamente à importância da prevenção da OIC.

Uma lista de verificação sobre as questões pertinentes nos doentes medicados com corticosteróides, tais como os efeitos adversos dos corticosteróides, os factores de risco para a osteoporose, os resultados de DEXA anteriores e a terapêutica preventiva seleccionada, pode constituir um instrumento útil para os médicos. Este tipo de documento pode ser colocado nos processos clínicos de todos os doentes quando iniciam uma terapêutica com glucocorticóides para servir como lembrete do risco aumentado de osteoporose e da necessidade de profilaxia.