PROFILAXIA CONTRA A OIC

As estratégias precoces para a prevenção e tratamento da OIC reduziram o impacto adverso dos esteróides sobre o osso mas não melhoraram consistentemente a resistência do osso, como tem sido observado com a classe de agentes comercializada recentemente e conhecidos por bifosfonatos. De entre estas estratégias salienta-se a restrição de sódio com uma terapêutica concomitante com diuréticos tiazídicos e tratamento com fluoreto de sódio ou calcitonina. Em particular, a utilização de diuréticos tiazídicos com restrição de sal continua a não apresentar um benefício comprovado, enquanto que a terapêutica com vitamina D comporta um risco de hipercalciúria e formação de cálculos urinários. O fluoreto de sódio estimula a formação de osso mas continua controverso devido à qualidade anormal do osso notada durante esta terapêutica.

Contudo, ao longo da última década foram experimentadas algumas incursões notáveis no sentido da redução da perda mineral óssea induzida pelos corticosteróides.115 De salientar, neste campo, a suplementação com hormonal gonádicas e os bifosfonatos, ambos com propriedades anti-reabsortivas e que podem manter ou aumentar a densidade óssea em algumas pessoas medicadas com corticosteróides. A calcitonina pode ser eficaz em alguns casos e pode ser tido em consideração quando os bifosfonatos não constituem uma opção viável.

Para além da utilização destas terapêuticas, o American College of Rheumatology (ACR) recomenda o tratamento das situações de co-morbilidade, tais como o hipertiroidismo.2 As alterações do estilo de vida que podem melhorar a saúde do osso incluem o exercício físico, a redução do consumo de álcool e a abstinência tabágica. Embora a melhor medida preventiva seja a interrupção da utilização dos corticosteróides, em muitas situações esta atitude não é possível. Os glucocorticóides devem ser prescritos na dose mínima eficaz. Se for exequível, os agentes tópicos ou inalados são preferíveis em relação aos corticosteróides sistémicos. Uma vez que a perda óssea é mais rápida durante os primeiros 6 meses da terapêutica glucocorticóide, o ACR aconselha os médicos a começarem a administrar cálcio e vitamina D em todos os doentes no início do tratamento.

Calcitonina e metabolitos da vitamina D O fornecimento de substrato adequado para a formação óssea inclui a suplementação com cálcio em associação com vitamina D. A ingestão diária de 1.500 mg de cálcio, quer através da dieta quer de suplementos, reduz a renovação óssea. Na maior parte dos doentes, o colecalciferol na dose de 400 a 800 Ul/dia é suficiente para manter os níveis séricos dentro duma variação apropriada. Se for usada uma dose elevada de colecalciferol, avalie cuidadosamente os níveis séricos e urinários de cálcio periodicamente.

A calcitonina de salmão intra-nasal administrada em doses de até 400 UI/dia demonstrou, em vários estudos, reduzir a perda de conteúdo mineral ósseo.10 Um estudo que comparou a utilização profiláctica de cálcio, calcitriol e calcitonina demonstrou que apenas o tratamento com cálcio e calcitriol (com ou sem calcitonina) reduzia a perda óssea ao nível da coluna lombar.'5 Um efeito secundário significativo do tratamento foi a hipercalcémia. No entanto, a posologia variável da terapêutica corticosteróide e a ausência dum grupo de controlo com placebo pode limitar a interpretação dos resultados deste estudo particular. Deve consultar-se um especialista antes da prescrição de calcitriol.

Terapêutica hormonal de substituição

Os corticosteróides reduzem os níveis de hormonas sexuais facilitando, deste modo, indirectamente, a reabsorção óssea osteoclástica. Assim, as doentes medicadas com corticosteróides podem beneficiar com uma terapêutica hormonal de substituição (THS), uma estratégia que ainda está a ser investigada. Um estudo que usou uma terapêutica de substituição com hormona gonádica em doentes a receberem corticoterapia crónica demonstrou estabilidade ou melhoria na densidade mineral óssea, tanto em homens como em mulheres.

Bifosfonatos

Os pirofosfatos sintéticos que resistem à degradação química — os bifosfonatos — tornaram-se recentemente peças chave no tratamento e prevenção da OIC. Um estudo que avaliou o benefício do alendronato nos doentes sob terapêutica corticosteróide a longo prazo verificou que os que foram medicados com alendronato apresentavam um aumento da densidade mineral óssea na coluna lombar, anca e global em comparação com os doentes que receberam placebo.12 Além disso, foram observadas menos fracturas vertebrais de novo no grupo do alendronato. A evidência sugere que a profilaxia com alendronato na dose de 5 mg/dia pode justificar-se nos doentes medicados com glucocorticóides a longo prazo. Mais recentemente, um bifosfonato oral de terceira geração demonstrou prevenir a perda óssea em doentes a iniciarem um tratamento com corticosteróides. O risedronato na dose de 5 mg/dia, resultou em efeitos terapêuticos significativamente positivos nos dois sexos após 12 meses de intervenção.13 Outros bifosfonatos que podem ajudar a tratar ou a prevenir a OIC incluem o pamidronato EV e a administração cíclica de etidronato.

Terapêutica anabolizante

Recentemente, a terapêutica anabolizante, em particular com hormona paratiroideia, demonstrou ser promissora no tratamento da OIC." Contudo, os estudos iniciais não revelam uma melhoria consistente em todo o esqueleto e os estudos de prevenção primária ainda não foram completados.